Dicas para escolher um bom carro usado

Muitas pessoas acreditam que comprar um veículo semi-novo com cerca 2 ou 3 anos de uso equivale a comprar um carro novo um pouco rodado. Ledo engano, um veículo com essa idade já não possui o mesmo desempenho, consumo de combustível e conforto do que um carro zero.

A verdade é que um veículo usado tem maior custo de manutenção do que um veículo novo devido ao desgaste natural de muitos componentes e a maior probabilidade de apresentar defeitos, além disso na maioria das vezes não conhecemos a procedência do carro.

Confira agora os pontos mais importantes para escolher um veículo usado, e o melhor, você não precisa ser um expert no assunto.

Valor de Revenda:

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É o principal fator que faz o consumidor comprar determinado carro, o ideal seria comprar um carro zero, mas a compra de um veículo usado não chega ser desvantajosa, deve-se atentar para o ano do veículo.
Um carro novo perde de 10% a 25% de seu valor logo no primeiro ano, em seu segundo ano essa depreciação caí mais, nem tanto como no primeiro ano, mas com o passar dos anos vai diminuindo até chegar a um valor bem pequeno e quase se estabilizar. Partindo dessa realidade um veículo com 1 ou 2 anos de uso torna-se uma boa opção de compra, e dependendo da marca pode até estar na garantia.

Carroceria – Análise de Danos:

A primeira impressão é a que fica. A imagem que o carro passa para você diz como ele foi tratado por seu antigo dono, fuja de carros com aspecto “torto” e pintura em tons diferentes em algumas partes do carro, pois com certeza já foram batidos,e muito provavelmente não foram reparados corretamente.

Procure por pontos de ferrugem nas partes inferiores das portas e dobradiças, calhas do teto e furação da antena. A ferrugem começa bem pequena, mas se alastra pela lataria podendo em caso estremos fura-la ou desprender a peça do carro, além disso o custo com funilaria pode ser dispendioso.

Dica: Essa é antiga, mas pega muita gente, é o teste do imã. Com um pequeno imã você pode saber se o carro foi batido ou não. É simples, passe o imã sobre a lataria do veículo, se em algum ponto ele não for atraído, é por que possivelmente esse veículo sofreu alguma colisão e quantidade de massa usada no reparo impede a atração do imã. Mas cuidado, existem veículos que possuem partes em plástico, o para-lama do Renault Clio por exemplo.


Suspensão:

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Aproveite a oportunidade de fazer um test drive no veículo para avaliar como está a suspensão, tente conduzir o veículo até uma rua de calçamento(paralelepípedo), a irregularidade da superfície irá denunciar se os componentes da suspensão estão bons ou não. Pancadas secas já demonstram que os amortecedores estão vencidos, ou que coxins e buchas devem ser trocados.
Outro teste simples consiste em fazer o giro completo da direção e dar a ré, se você ouvir um estalo, é por que a bucha da sapata deve ser trocada.
Você também pode verificar o estado dos amortecedores manualmente, posicione-se em frente ao para-lama dianteiro, e exerça um força para baixo empurrando a carroceria. Se os amortecedores estiverem bons, a carroceria subirá vagarosamente, caso a carroceria fique balançando, subindo e descendo, é sinal de que os amortecedores já estão mortos.
Aproveite caso você identifique esses sintomas para tentar baixar o preço do veículo, ou passar adiante.

Direção:

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O sistema de direção de um veículo é confiável, seguro e de pouca manutenção, por isso ele apresenta problemas já conhecidos.
Mais uma vez testar o veículo é a melhor forma de poder detecta-los, o principal é a folga na direção, fácil de perceber, você faz um pequeno movimento a direção e nada acontece, só depois de fazer um movimento mais amplo é que a direção responde. Neste caso a caixa de direção deve ser reparada, o que é um serviço de custo considerável.
Verifique o nível de óleo hidráulico retirando a tampa do reservatório, junto com ela tem um pequeno medidor. O sistema de direção não vaza e não necessita de troca de óleo, então redução no nível de óleo significa vazamento. Dependendo da dimensão do vazamento, você pode perceber pelos ruídos que a direção fará em momentos de esforço, fazendo o giro completo por exemplo.

Motor:

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É complicado para um proprietário leigo condenar um motor de um automóvel, devido a falta de conhecimento muitos proprietários compram carros com motor batizado e não percebem, o que é muito fácil.
Embora limitada, uma verificação visual no motor pode identificar possíveis deslizes, como manchas pretas próximas as juntas do motor que denunciam vazamento de óleo, coloração do reservatório expansão e do fluído de arrefecimento que se estiver em um tom de ferrugem muito intenso, pode entregar o grau de corrosão que o motor está.
Sempre que possível faça um test drive, não dispense essa ferramenta, aproveite e ponha o motor a prova em subidas, acelerações, passar a marcha com giro mais alto e reduções de marcha. Com certeza se o sistema de combustível e injeção eletrônica tiver alguma avaria, será percebida quando o motor for posto à prova. Não esqueça de sempre dar uma conferida no retrovisor, pois se o veículo está soltando aquela fumacinha azulada muito provavelmente este motor está bastante desgastado.

Sistema Elétrico:

Difícil de se analisar a parte elétrica de um veículo sem ter que desmontar algum componente, mesmo assim pequenos problemas podem chamar atenção para possíveis falhas na fiação.
Problemas de aterramento são muito comuns em carros usados, o principal sintoma é o funcionamento “louco” do sistema elétrico.
É o seguinte, sempre que for solicitado uma função no veículo com ligar os faróis, acionar o pedal de freio(luz de freio) ou a ré(luz de ré) por exemplo, devido ao aterramento está desgastado e oxidado ele irá executar outra ação juntamente com a solicitada, por exemplo, você pisa no freio e além da luz de freio acende também a luz de ré.
Falhas por curto-circuito também são comuns, e mais perceptíveis pois quase sempre ocasionam na queima de um fusível. É uma das falhas que um “bom” vendedor não vai deixar passar, mesmo assim, atente para defeitos como faróis e lâmpadas acendendo apenas de um lado e lâmpadas que não acendem mesmo não estando queimadas. Para encontrar onde está o curto em uma fiação elétrica o eletricista vai literalmente seguir a fiação e muitas vezes torna-se necessário desmontar alguns componentes, o que torna a manutenção dispendiosa.

Pneus:

Se existe algo no veículo que pode entregar um série de defeitos em um veículo são os pneus, se alguma coisa estiver errada na suspensão, no alinhamento do veículo e no sistema de direção os pneus irão entregar o jogo. E como perceber isso?
Desgaste. Todo pneus se desgasta, isso é normal, mas em um veículo com manutenção em dia o desgaste é homogêneo, toda a banda de rolagem do veículo vai se desgastando até chegar o momento da troca.
O problema é quando esse desgaste se torna excessivo e concentrado em algumas partes da banda e até mesmo bizonho.
Sempre verifique os pneus do veículo que você pretende levar, caso você perceba que ele possui desgaste concentrado em alguma partes da banda, por exemplo, um desgaste excessivo na parte interna da banda de rodagem muito provavelmente vem a ser causado pelo desalinhamento das rodas.
Quando o desgaste é bizonho, ou seja, em várias partes da banda de rodagem, mas sem estar concentrado em um ponto específico, provem de alguma colisão que o veículo tenha sofrido e sua reparação não foi bem executada, o que deixa o sistema de direção desalinhado.

Freios:

freio-usadoSimples, confiável e seguro, as falhas do sistema de freio se restringem a vazamentos, o nível do fluído de freio – que pode ser conferido pelo reservatório – baixa progressivamente devido ao desgaste das pastilhas, o pedal passa a ter um curso maior para bombear mais fluído para as pinças, por isso o nível baixa. Ao avaliar um veículo, caso o fluído esteja abaixo do nível não quer dizer há vazamento, pode ser desgaste normal do sistema, então você pode pechinchar o preço em virtude do gasto que você terá para por o mecanismo em ordem. Mais uma vez aproveite o test-drive para sentir o pedal de freio, vibrações ao acionar o pedal é sinal de que os discos de freio podem estar estar empenados, e com certeza trará um custo de reparação considerável.
Para certificar se o sistema está realmente em ordem, o ideal é levar o carro a um mecânico de confiança(caso seja possível.).

Pormenores que devem ou não serem levados em consideração:

Temos que ter em mente que estamos levando um veículo usado ou semi-novo, ou seja este carro pertenceu a outra pessoa e você nunca vai saber como ele foi utilizado, por isso podemos(deveríamos) relevar alguns fatores.
Detalhes como as borrachas dos pedais, palhetas do limpador, falta das tampinhas da válvula dos pneus ou o fato dos bancos não parecerem novos não será algo que lhe trará um gasto significativo para substituir.
Borrachas das portas e vidros, tapetes desgastados, maçanetas com tinta soltando, apoios de braço e volante com marcas devido ao uso denunciam um veículo utilizado ou muito severamente, ou com uma quilometragem bastante avançada, e a partir disso você pode questionar a marcação do hodômetro(marca a quilometragem total do veículo) caso ela esteja muito baixa em relação ao estado que o veículo se encontra.

Com essas dicas espero ter ampliado a visão de muitos de vocês, o mais importante é que vocês não ponham na cabeça pensamentos como, “o carro está zerado” ou “o carro ta novo, novo, novo” por que não está, sempre haverá um ponto crítico no carro que passará despercebido, ou que você não poderá verificar e que poderá mais adiante resultar em um custo extra com manutenção.

Auto entusiasta, piloto virtual, técnico em Manutenção e Mecânica Automotiva, estudante de Engenharia Mecânica. Automobilista nato!

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