Saiba técnicas simples para você dirigir com mais economia.


driveco1A gasolina brasileira é um caso interessante, ela vai completamente na contra-mão do mercado mundial. Enquanto em todo o mundo o preço da gasolina caiu, devido a queda do preço do barril de petróleo, aqui no Brasil a gasolina e o diesel sofreram, a pouco tempo, um novo reajuste. Assim a gasolina vendida aqui no Brasil está cerca de 70% mais cara do que a gasolina vendida nos outros países. Para o óleo diesel essa diferença ultrapassa os 50% em relação ao preço de referência do Golfo do México.

É neste ambiente que os brasileiros acabam tendo que forçadamente se adaptar, e então temos uma verdadeira salada de técnicas e costumes que os motoristas utilizam para econômizar combustível, desde a utilização do ponto morto(vulgo banguela) até o desligamento do motor nos grandes congestionamentos. Mas será que essas supostas técnicas funcionam ?

Sabemos que as condições de nossas estradas e rodovias não ajudam, temos congestionamentos que nos forçam a andar em um ritmo que prejudica o motor, temos buracos e irregularidades nas rodovias que nos forçam a reduzir e fazer desvios e além disso temos o clima, que em um país tropical quem se atreve a andar sem ar condicionado só para economizar combustível ?

Então, partindo do ponto que as estradas e rodovias não ajudam, e que o clima no país está cada vez mais quente, a economia de combustível está mais ligada a ansiedade do nosso pé direito. É impressionante como muitos motoristas simplesmente não conseguem manter a velocidade enquanto dirigem. Aceleram e reduzem o tempo inteiro. Se a velocidade da via é 60Km/h, eles não andam a 60Km/h, aceleram até 70-80Km/h e reduzem e aceleram novamente.

Crédito foto: Ultimatecarpage

Crédito foto: Ultimatecarpage

O controle da aceleração do motor é o primeiro passo para se aprender a dirigir com eficiência, pois o sistema de injeção eletrônica do veículo trabalha em um processo chamado Closed loop(malha fechada), aonde o sistema por meio de sensores analisa o que entra no motor e o que saí no escapamento, e a partir destas informações passa a trabalhar para injetar apenas a quantidade necessária de combustível(mistura estequiométrica). Então sempre que o motorista acelera e reduz sem necessidade, ele está quebrando esse processo, o sistema sempre estará buscando a quantidade ideal de combustível a ser injetada e nunca vai encontrar.

Uma vez que você conseguiu domar seu pé direito e parou de brincar de acelerar e reduzir, é hora de aprender a trocar de marchas no momento certo. Mas pelo menos dessa vez você tem a sua disposição dois incríveis instrumentos no seu carro: O conta-giros e o indicador de troca de marcha(Isto é, se o seu carro não for um popular de entrada totalmente básico.). O conta-giros mede a rotação do motor na unidade RPM(Rotações por minuto), e é por ele que você irá determinar o momento para trocar de marcha.

Crédito foto: treehugger

Crédito foto: treehugger

Mas qual é o momento para trocar de marcha em que se obtém o menor consumo de combustível ? Quando o motor atinge sua rotação de torque máximo.

Essa informação é facilmente encontrada no manual do proprietário, mas se você perdeu o seu manual, ou simplesmente está com preguiça de procurar, evite trocar de marcha com o conta-giros indicando acima de 2500RPM, efetue sua troca sempre entre 2000 e 2500RPM. A maioria dos veículos nacionais dispõe de seu torque máximo(ou grande parte deste) dentro dessa faixa de rotação. Caso seu carro não possua conta-giros, você pode utilizar o indicador de troca de marcha, que geralmente informa no mostrador do painel a marcha que deverá ser trocada no momento da condução. Se seu carro não possui nenhum dos dois. Bom, procure no manual do proprietário a indicação das velocidades no qual você deve trocar de marcha para obter o menor consumo de combustível.

driveco4Outra grande técnica utilizada por diversos motoristas(muitos inconscientemente) é a banguela, em outras palavras, trafegar com o veículo em ponto morto. De um lado os motoristas supostamente experientes alegam que a banguela ajuda a economizar combustível, de outro os engenheiros e mecânicos clamam pelo chamado cut-off, o corte de combustível em marcha. Ambos estão certos, mas o problema de muitos motoristas é saber quando se utilizar dessas duas técnicas. O uso exagerado da banguela não o ajudará a economizar combustível, pois o melhor momento para se utilizar desse artifício é quando a distância para uma parada certa for muito longa, um semáforo muito distante, um pedágio ou algo do tipo. No entanto a banguela jamais deverá ser utilizada em situações de descida ou curva, pois risco de perda de controle do veículo aumenta consideravelmente. Para distâncias curtas e descidas, como as que encaramos no trafego urbano, o cut-off certamente é a melhor opção. Uma vez que você perceber que o outros carros também estão reduzindo, basta desacelerar o veículo, que o sistema de injeção eletrônica se encarrega de efetuar o corte de combustível. Isso mesmo, o motor passa a funcionar por um breve período de tempo sem combustível algum, utilizando apenas a energia cinética armazenada pelo volante de motor. O cut-off somente entra em ação quando o pedal do acelerador é totalmente desacionado, o pedal de embreagem está desacionado, uma marcha estiver engatada e a rotação do motor se encontrar entre(geralmente) 1000 e 2000 RPM. Abaixo ou acima desta, essa estratégia do sistema de injeção eletrônica não entrará em funcionamento.

driveeco5Dizem no mundo do automobilismo, que a técnica mais difícil é frear. Talvez ela não seja tão complicada para um motorista civil, que por sinal nos dias de hoje compra carros com freios ABS de fábrica. Mas poucos sabem que frear bruscamente ou no último momento antes da parada, pode atrapalhar boa parte do seu esforço para economizar combustível. O ideal é frear com suavidade, e deixar que o veículo reduza sua velocidade sem o colocar em ponto morto. É claro que não se deve deixar o motor “morrer”, portanto utilize o conta-giros para verificar a rotação e sempre que ela alcançar 1000RPM acione o pedal de embreagem, quando não deixe o motor reduzir sua rotação conforme frea, pois o cut-off está agindo.

Todo seu esforço para economizar combustível será em vão se seu veículo não possui um controle rígido de sua manutenção preventiva. Se você atrasa sua troca de óleo sempre, negligencia o alinhamento das rodas, nunca verifica a pressão dos pneus e só faz a revisão do seu carro quando ele está cheio de problemas, pode ter certeza que seu consumo de combustível será severamente afetado, e obviamente você está gastando mais a curto, médio e longo prazo.
O óleo do motor é trocado por que simplesmente ele perde suas propriedades a medida que vai sendo utilizado, e isso gera um atrito a mais nos componentes móveis do motor, mais atrito, mais resistência ao movimento, então mais consumo de combustível.
O alinhamento das rodas deve ser periodicamente verificado, geralmente a cada 10.000 Km, devido as condições das nossas ruas e estradas, mas não apenas para poupar os seus pneus de um desgaste prematuro. Saiba que quando um veículo está desalinhado, o esforço sobre as rodas é maior pois o veículo passa a arrastar as rodas na superfície, o arrasto gera o desgaste prematuro dos pneus, gera resistência a rolagem e consequentemente maior consumo de combustível.
A calibragem dos pneus incorreta afeta bastante a dirigibilidade do veículo. Há quem goste baixar a pressão dos pneus além do valor indicado pelo fabricante, isso para obter um rodar mais macio. No entanto, essa calibragem menor dos pneus força todos os componentes ligados a roda(direção e suspensão), reduzindo sua vida útil. Além disso, pneus com calibragem reduzida além da indicada pelo fabricante aumenta a resistência a rolagem, ou seja, maior consumo de combustível.
As revisões realizadas nos veículos também devem ser criteriosas, evite deixar que componentes como velas de ignição, filtro de ar e filtro de combustível ultrapassem sua quilometragem de uso, pois estes componentes estão ligados a formação da mistura ar/combustível, quando desgastados atrapalham o processo ou geram falhamentos no motor.

Então, deu para ver que combustível fóssil no Brasil é caro, e cada dia que passa fica mais caro. Por isso, mantenha seu veículo com manutenção em dia. Na hora de dirigir não existe segredo para economizar, é manter a velocidade, evitar arrancadas e freadas bruscas, evitar o uso excessivo da banguela, principalmente em distâncias de redução curtas e utilizar mais o cut-off no ciclo urbano.


Auto entusiasta, piloto virtual, técnico em Manutenção e Mecânica Automotiva, estudante de Engenharia Mecânica. Automobilista nato!

  • Olá, Anderson!
    Excelente seu site, não sei exatamente como cheguei a ele, mas já salvei no favoritos.
    Todas as dicas aqui dadas por ti são pertinentes e eu aprendi a utilizar depois que tive carros com computador de bordo, onde um dos principais instrumentos que utilizava (e utilizo), é o “consumo instantâneo”, que me deu muita sensibilidade na tocada do veículo.
    Nesta matéria, disse que “Abaixo ou acima desta,” (rotação da estratégia cut-off), o cut-off não funciona. Creio que seria somente abaixo de determinada rotação que ele não atua, pois acima desta, o motor (vindo engrenado e pé fora do acelerador) só gira na inércia do sistema, acionando o cut-off. Portanto, se o cut-off aciona-se após os 1500 rpm, ele persiste até o limite de giro.
    Parabéns pelo site!
    Abraços!

  • Sandero da Depressão

    Muito bom! Algumas técnicas eu já usava sem conhecer por acreditar que gerava economia, como trocar marchas até 2500rpm e frear lentamente até 1000rpm. No meu caso, eu acompanhava o som do motor.

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