Seis Motivos para lamentar a possível falência do Gruppo Bertone

bertoneFundada em 1912 na Itália, o Gruppo Bertone cultivou uma história de sucesso projetando e desenhando carros para grandes marcas automotivas. Contudo, o passado glorioso não foi suficiente para a empresa, que hoje está a beira da falência. A situação começou a ficar ruim com a morte de Nuccio Bertone em 1997, e desde então, tudo que se viu foi pagamento de dívidas e nada de lucro, chegou ao ponto de vender um de seus carros(Lamborghini Marzal e Lancia Stratos Zero) para amenizar a situação. Embora existam interessados na compra do grupo Bertone, a marca já deu entrada no processo de falência junto ao governo italiano. Não sabemos ao certo qual será o fim dessa história, mas vamos mostrar agora 6 motivos para lamentar essa possível perda:stratosLancia Stratos: O simples fato de ser tri-campeão do mundial de rali(WRC de 1974-76), o verdadeiro tri, já entrega ao Stratos atributos para estar em qualquer lista de carros. Basicamente o Stratos foi um daqueles carros fabricados para homologação do FIA WRC da época, o que por si só já o torna raro. Tratava-se de um pequeno midship com 3.708mm de comprimento e motor V6 2.4l emprestado da Ferrari Dino, sua versão Stradale desenvolvia 190hp, que aliados ao baixo peso(980Kg) fazia o pequeno italiano esbarrar nos 230km/h de velocidade máxima. O grupo Bertone começou por mostrar como ganhar apostas com o Lancia Stratos, já que este automóvel tem no seu currículo, além dos três títulos do WRC, vitória na competição Targa Florio e participação nas 24 Horas de Le Mans.
xmCitroën XM: Existem carros que quando lançados são absolutamente obsoletos, ou por não ter nenhuma novidade em relação aos demais, ou por simplesmente não serem modernos o suficiente. Com o XM o caso era o oposto, era um veículo totalmente a frente de seu tempo. Lançado em 1989,  foi Carro Europeu do Ano de 1990, e por muitos, é considerado o “último Citroën”. Considerações a parte, além de design peculiar, o XM também tinha muita tecnologia, principalmente na suspensão. O sistema Hidroactive adaptava-se sozinho às condições do estrada, e podia distinguir uma estrada esburacada de apenas um buraco pontual, tudo isso com um sistema hidropneumático de suspensão ativa. Realmente, era um carro a frente de seu tempo, tanto que o potencial de sua suspensão ativa nunca foi totalmente exposto, para a Citroën os clientes não estavam preparados para isso. Deixou saudades…
Cizeta-V16TCizeta-Moroder V16T: Existem carros feitos para as massas, existem carros feitos para classe média-alta, existem carros para os milionários e existe o Cizeta-Moroder V16T. Tudo no Cizeta é no mínimo ortodoxo, a começar pela própria marca que o produziu, a Cizeta-Moroder, que era uma sociedade entre um designer(Claudio Zampolli) e um músico(Giorgio Moroder). Juntaram uns empregados demitidos pela Lamborghini ali, um ex-designer do Lamborghini Countach(Marcello Gandini, ná época trabalhando pelo Gruppo Bertone) aculá, misturaram tudo e nasceu o V16T.
V16T significava as características do motor, 16 cilindros em V montado na transversal em posição central a carroceria. Mesmo sendo pesado(1700Kg), era muito veloz(328km/h de velocidade máxima, e 0-100km/h em 4s), de tão caro e com uma aliança curiosa(para não dizer controversa) vendeu “sensacionais” 20 unidades no período 1988 até 2006. Nesse período a marca teve a saída de Giorgio Moroder, passando a marca ser apenas Cizeta. É pouco carro para poucos, se você já o viu, pode ter certeza de que não verá mais…countachLamborghini Countach: Não tem muito o que falar desse carro, foi um verdadeiro campeão de posteres dos adolescentes dos anos 80, além de ser a estrela do filme Cannonball Run. Mas o Countach foi muito mais do que isso, desenhado por Marcello Gandini(quando trabalhava pelo Gruppo Bertone), foi um supercarro de produção dos anos 70 que deu a Lamborghini traços e características que viraram tradição, perfil baixo da carroceria(wedge-shaped/cuneiforme) e as portas tesoura, que se abrem para cima. Nasceu e morreu utilizando carburadores(apenas na Europa), eram seis Webbers para alimentar o V12 de 4l, que logo depois passou para 4.8 e finalmente para 5.2l e sistema de distribuição DOHC. No total foram 658 carros produzidos, sendo sua última versão a comemorativa de 25 anos de aniversário da marca(foto).

diabloLamborghini Diablo: Se existiu algo que realmente dificultou a vida dos posteres da playboy nos anos 90, este chama-se Lamborghini Diablo. Entrar em um quarto de adolescente dessa época e não ver um poster do Diablo era coisa rara. O Diablo manteve a tradição da marca(de rei dos posteres…) iniciada com o Countach, motor V12 central, porta tesoura e design de perfil baixo. Embora o Diablo fosse consideravelmente maior e mais pesado. De 1990 a 2001 o Diablo passou por várias fases, de motor 5.7l para 6.0, teve tração nas quatro rodas e no fim de sua jornada perdeu os faróis escamoteáveis. Foram produzidas 2884 unidades, podia ter sido melhor desenvolvido se não tivesse existido em uma época difícil para a marca italiana, que teve dois “donos” nesse período, um grupo suíço e a gigante Chrysler. A renovação da marca veio com o Murciélago, já sobre comando da Audi.

miuraLamborghini Miura: Muitos antes da Lamborghini figurar nos posteres de adolescentes do anos 80 e 90, eles fabricavam carros esportivos de nomes e formas no mínimo curiosas, Espada e Urraco são bons exemplos. O estúdio Bertone encarregado de alguns deles, projetou um carro que colocou a Lamborghini no mundo.
Esqueça portas tesoura, carros grandões, tração AWD e injeção eletrônica, o que a Lamborghini era até a fase Diablo em termos de motor, começou neste carro. Era anos 60 e tudo que a marca queria era incomodar sua rival Ferrari e ganhar prestígio de marca de luxo, conseguiu. O chassi do primeiro Miura, denominado P400, foi exibido no salão de Turin de 1965(sim, apenas o chassi foi exibido…), sendo um sucesso estrondoso, naturalmente o carro ganhou as ruas. O primeiro midship desde então, e com motor V12 em posição transversal, chegava perto dos 280Km/h de velocidade final, gerava 350hp, e em sua última configuração, o V12 4.0l produziu 385hp. O carro também iniciou a carreira da marca no cinema, abrindo o filme The Italian Job(1969).

E para você, qual o carro projetado pelo estúdio Bertone que mais marcou? Comente!

 

Auto entusiasta, piloto virtual, técnico em Manutenção e Mecânica Automotiva, estudante de Engenharia Mecânica. Automobilista nato!

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