Ford GT40, quando a Ford resolveu vencer em Le Mans

frdconcepts 02detroitFamoso pela sua clássica pintura azul com faixa laranja e o patrocínio da empresa petrolífera Gulf, o Ford GT40 marcou a década de 60, venceu quatro vezes as 24 Horas de Le Mans e tornou – se um dos carros de corrida mais bem sucedidos do mundo. Atualmente possui uma releitura, o Ford GT.

A década de sessenta começou amarga para a Ford, os AC Cobra estavam em declínio e a gota d’água para Henry Ford II foi à derrota nas 12 Horas de Sebring de 1962 para a Ferrari, que ocupou da primeira a sexta colocação na prova.
Henry Ford II já alimentava a vontade de vencer em Le Mans desde o início dos anos sessenta, e comprar a Ferrari colocava a Ford mais perto da vitória.

gt401Através de um intermediário europeu Ford tomou conhecimento de que o Comendador Enzo Ferrari tinha interesse em vender sua companhia. As negociações começaram em 1963 e com o intermédio de Leo Bik diretor da Ford Europe. Ford e Ferrari tentavam chegar a um acordo, foram vinte e três dias acompanhados pelo mundo na expectativa de um resultado histórico. Mas tudo foi por água abaixo por uma pequena divergência de interesses, Enzo Ferrari queria continuar no comando da divisão de competição da Ferrari e a Ford Motor Company quis impor certa submissão, no caso Enzo Ferrari teria que ter aprovação da Ford para competições e com um teto orçamentário definido.

gt402Em um comunicado o Comendador dizia se sentir impedido e por isso não havia acordo. Henry Ford II ficou furioso, convocou sua equipe de engenheiros e deu carta branca para o investimento que fosse preciso para vencer a Ferrari, e mais do que isso humilhar o Comendador. Estava tão disposto a derrotar a marca do cavalo rampante que liberou investimento para um novo projeto, no qual Lee Iacocca (Conhecido pelo projeto Mustang.) idealizou um carro com motor V8 capaz de atingir os 320 quilômetros horários (198.84milhas.), pois naquela época em Le Mans a grande reta tinha seis quilômetros sem chicanes (Hoje, com chicanes.) e exigia um carro extremamente veloz.

A Ford foi à busca de grandes nomes do certame, Cooper, Lotus e Lola, eram as que interessaram a gigante americana. Depois de avaliadas, Cooper e Lotus foram descartadas.
A Cooper devido a pouca experiência com carros GT e Esporte Protótipo e a Lotus por já está engajada com a Ford nas 500 Milhas de Indianápolis e pelo fato de Colin Chapman exigir muito (dinheiro.) para desenvolver o bólido e ainda querer que ele se denominasse Lotus – Ford e futuramente Lotus Europa.
A Lola acabou sendo a escolhida, Eric Broadley proprietário da Lola e designer chefe concordou com o acordo de desenvolver o carro sem o envolvimento da sua marca. O acordo continha também um ano de colaboração da Lola com a Ford e a venda de dois exemplares do Lola GT construídos para a Ford.

 

frdconcepts 02detroitA equipe ainda não estava totalmente formada, juntaram – se a ela também John Wyer ex team manager da Aston Martin e Roy Lunn engenheiro da Ford Motor Company.
Para gerenciar o projeto a Ford abriu sua nova subsidiária, Ford Advanced Vehicles, pôs Harley Copp na supervisão do projeto e o trabalho teve seu inicio na fábrica da Lola em Bromley.

 

– 1964 –

Finalmente no dia 16 de Março de 1964 era entregue o primeiríssimo Ford GT40, número de série GT101, foi revelado no dia primeiro de Abril na Inglaterra e mais tarde rumou para os Estados Unidos, sendo exibido em Nova Iorque.
Pequeno, baixo, possuía apenas 1,02 metros de altura (40 polegadas de altura.), media 3.96 metros de comprimento. Tinha uma dianteira bem curta com os faróis protegidos pela carenagem e um amplo pára-brisa. Nas laterais os vidros inclinavam para dentro do veículo além de possuir entradas ar, as portas abriam-se para cima (como no Mercedes 300SL). A traseira era uma show a parte com a tampa de vidro deixando o V8 exposto.

GT404A usina era um 4.2 litros V8 OHV (Over Head Valves – Válvulas no cabeçote, o que deixa implícito que o comando está no bloco.) do Ford Fairlane acoplado a um cambio de cinco marchas e transeixo Colotti.
Para controlar essa manada o GT40 possuía freios a disco da Girling, suspensão dianteira independente com duplo trapézio articulado e molas cônicas, na traseira barra de torção e trapézios articulados inferiores.

 

Crédito foto: http://www.gt40spf.com/

Crédito foto: http://www.gt40spf.com/

Os primeiros quilômetros do GT40 foram difíceis, o carro se mostrou muito falho, nos testes em La Sarthe(Le Mans.) os carros se acidentaram devido a falhas na aerodinâmica. Depois desse episódio foi colocado um aerofólio na traseira, que diminuiu o problema, mas não o solucionou. Outro problema que atormentou os engenheiros dos primeiros GT40, era o cambio. Ele não suportava a força do motor.

O Ford GT40 competiu no Campeonato de Marcas, e fez sua em estréia nos 1000 Quilômetros de Nürburgring em Maio de 1964(No mês seguinte a sua apresentação em Nova Yorque.), embora tenha largado na segunda posição com Bruce Mclaren e Phil Hill, teve problemas na suspensão e abandonou a prova.

Crédito foto: http://lemans.slotracing.free.fr/

Crédito foto: http://lemans.slotracing.free.fr/

Chega Le Mans, três semanas depois de Nürburgring os GT40 desembarcam na França para a mais importante corrida do automobilismo. Mais uma vez o GT40 mostrou a força dos motores V8, se classificaram na segunda, terceira e nona colocação, mas novamente fracassaram durante a prova. Os três GT40 inscritos abandonaram por razões distintas, a dupla Ritchie Guinter e Masten Gregory tiveram problemas na caixa de cambio(Da marca Colotti.), Richard Atwood e Jo Schlesser tiveram um vazamento de combustível que resultou em um incêndio, pulverizando as chances vitória. A dupla que mais permaneceu na pista foi Bruce Mclaren e Graham Hill, mas também abandonaram por problemas no cambio.

Nesse ano os abandonos foram constantes, em Reims na França novo abandono por defeito no cambio, e para fechar com “chave de ouro” na última prova do temporada em Nassau – Bahamas dos oito GT40 que alinharam no grid, os oito abandonaram, mostrando que algo deveria ser feito imediatamente. O carro tinha muito potencial, era rápido e capaz de vencer qualquer corrida, mas as diversas falhas sugeriam mudanças. Então o controle do programa passou para as mãos de Carrol Shelby. Logo após a corrida nas Bahamas os carros foram enviados para Shelby(Ainda sujos e danificados da corrida.).

 – 1965 –

1965 parecia ser o ano da ascensão do Ford GT40, afinal o comando do programa passava para as mãos de Carrol Shelby(Aquele que fez do Mustang o Mustang!). O quartel general mudava-se para Kar Kraft, próximo a Dearborn no estado de Michigan. Shelby desenvolveu diversas mudanças no carro, a mais significativa foi o powertrain, que mudou totalmente, o novo motor era um 4,7 litros do Cobra ligado a uma caixa de marchas da marca ZF de quatro marchas. Os pneus Dunlop calçavam os aros novos, que passavam a ser fundidos.

Crédito foto: http://www.seriouswheels.com/

Crédito foto: http://www.seriouswheels.com/

O novo GT40 “powered by Shelby” estreou na Daytona Continental 2000km na Flórida, onde Ken Miles e Lloyd Ruby venceram fácil por conta da concorrência fraca. Foi um bom começo, mas na segunda corrida em Sebring o GT40 teve um concorrente a altura, o Chaparral 2A. Um verdadeiro “peso pena”  pilotado por Jim Hall e Hap Sharp, equipado com um 5,3 litros Chevrolet. Bateu o Ford GT40 deixando o compatriota no segundo posto.

gt408

No dia 19 Junho de 1965 seis Ford GT40 alinharam no grid de largada das 24 Horas de Le Mans, cinco deles preparados por Shelby, e um da F.A.V(Ford Advanced Vehicles.)o GT40P/1006. Dois dos GT40 de chassi GT106 e GT107 preparados por Shelby estavam equipados com o novo motor V8 de 7,0 litros(427 polegadas cúbicas) que mais tarde se tornariam a geração Mark II do GT40. Mesmo com todas as suas(Ford) armas em Le Mans, mais uma vez os Ford GT40 decepcionaram, nenhum deles se quer completou a prova, os MarkII tiveram problemas com novo cambio e os MarkI com motor Cobra tiveram problemas no cabeçote e também com cambio. Ao menos Phill Hill fez a volta mais rápida da prova com média de 138 milhas, o que demonstrava claramente o quão velozes os GT40 eram, faltava confiabilidade no conjunto.

– 1966 – 

gt4010A Ford sofreu com as dificuldades do programa GT40, quebras, abandonos e derrotas denunciavam um carro não muito confiável, mas não menos veloz.
O ano de 1966 começou com mudanças, a homologação dos carros foi diferente, o GT40 Mark II 7.0 pertencia agora à categoria Prototype. Para isso 50 exemplares do Mark II tiveram que ser construídos.
O Mark II recebeu diversas alterações no chassi, motor, suspensão e aerodinâmica, ficou ainda mais rápido.

Como em 1965, em 1966 a Daytona Continental abria o campeonato, era a primeira prova de 24 horas da temporada. O GT40 participou juntamente com seus principais rivas, o Chaparral 2D, Ferrari P3 e o Porsche Carrera 6, ocupou as três primeiras posições, sendo a dupla Ken Miles e Lloyd Ruby a vencedora da prova.

Sebring era a segunda prova do campeonato, e mais uma vez a Ford levou o taça para casa, o Ford GT40 Roadster apelidado de X-1 venceu a prova nas mãos de John Surtees e Mike Parkes seguido por mais três GT40, domínio total Ford.

O mesmo não aconteceu na etapa de Monza, a Ferrari estreava o 330 P2 com a equipe Spa Ferrari SEFAC. O carro estava equipado com o sistema de injeção eletrônica Lucas, venceu a prova e mostrou a Ford que a Ferrari seria uma grande  adversária para o GT40.

Targa Florio, a quarta corrida da temporada teve apenas um Ford GT40 da Ford France SA guiado por Guy Ligier e Henri Greder, mas o resultado foi pífio, o carro completou 9 das 10 voltas da competição terminando em 12°. A vitória ficou com o Porsche Carrera 6 da equipe Scuderia Filipinetti, conduzido por Willy Mairesse e Herbert Müller, seguido pela Ferrari Dino 206 S da equipe SPA Ferrari SEFAC.

Spa-Francorchamps foi palco quinta rodada do certame, os 1000km de Spa assistiu a primeria vitória da nova Ferrari 330 P3 pilotada por Mike Parkes e L.Scarfiotti, mas seguida por dois Ford GT40, um Mark II e outro Coupé, guiados pelas dupla J. Whitmore/Frank Gardner.

Nos 1000km de Nurburgring mais uma vez poucos GT40 foram inscritos, e de equipes não oficiais. Resultado, o melhor deles foi o da equipe Ford France guiado por Jo Schlesser, Guy Ligier e Henri Greder que chegou na 5° posição seguido pelo GT40 da equipe Peter Sutcliffe com Peter Sutcliffe, John M. Taylor e Brian Redman. A vitória ficou com o Chaparral 2D pilotado por Jo Bonnier e Phil Hill. A equipe Spa Ferrari SEFAC com um Ferrari Dino 206S terminou na segunda posição com 1 minuto de diferença, ao volante estavam Ludovico Scarfiotti e Lorenzo Bandini.

gt409Finalmente chega o dia, as 24 Horas de Le Mans de 1966 prometia. A Ford levou toda as suas máquinas para a pista, no total oito GT40 Mark II. A concorrência era forte, duas Ferraris 330 P3 da equipe Spa Ferrari SEFAC, quatro Porsche Carrera 6 da Porsche System Engineering e o Chaparral 2D alinharam no grid. Os GT40 dominaram a prova, as duas Ferraris quebraram e o Chaparral também, apenas a Porsche poderia ameaçar a Ford, mas os GT40 estavam imbatíveis. A vitória ficou com o GT40 da Shelby American guiado por Bruce Mclaren e Chris Amon, seguido de outro GT40 da Shelby conduzido por Ken Miles e Denis Hulme.

No final da temporada a Ford superou a Ferrari por dois pontos e levou o título mundial de construtores do World Sports Cars Champioship de 1966. A Vitória em Le Mans e o título do World Sports Car Championship de 1966 já indicava, o GT40 tinha se tornado um carro de ponta. Mesmo sendo um topo de linha dos carros de corrida, a Ford parecia não estar satisfeita com o lado “inglês” do GT40, as modificações do mago dos carros de corrida Carrol Shelby para o GT40 Mark II ainda apresentava muitas características do projeto de Eric Broadley e John Wyer.

– 1967 – 

Crédito foto: Motortrend

Crédito foto: Motortrend

Para 1967 um novo GT40 foi desenvolvido, o Mark IV foi totalmente desenvolvido no Estados Unidos, um legítimo made in USA capaz de vencer em Le Mans. A FAV então, foi vendida para John Wyer. Também chamado de Mirage-Ford  o Mark IV teve sua aerodinâmica totalmente revisada, a carroceria pouco lembrava aos Mark I e II que sofriam com os problemas de instabilidade devido a aerodinâmica. Foi montado com base no chassi do J-Car*, e reforçado com uma estrutura conhecida como “gaiola”, feita com tubos de aço muito comum nos carros de corrida; aumentando a segurança do bólido, contudo aumentando também o seu peso.

moremsportshistoryDo Mark II veio o motor V8 OHV de 7 litros e 500cv, que permitia ao GT40 velocidades superiores a 340 quilômetros por hora na reta de Le Mans. Embora tenha se mostrado um verdadeiro calo para Porsche e Ferrari o Mark IV correu apenas em duas corridas, das quais venceu todas; que foi as 12 Horas de Sebring e as 24 Horas De Le Mans. Talvez por isso a Ford não tenha levado o título do campeonato que ficou com a Ferrari, mas o que importava para a Ford era vencer em Le Mans com um carro, equipe e pilotos americanos.

Realizada nos dias 10 e 11 de Junho de 1967 as 24 Horas de Le Mans era a sétima rodada do World Sports Car Championship. A esquadra da Ford eram sete GT40 e dentre estes estava o GT40 da Shelby-American pilotado por Dan Gurney e A. J. Foyt. A Ferrari também entrou na pista com sete carros, Chaparral, Porsche e Lola também alinharam no grid. Até a equipe de John Wyer entrou na competição.
Henry Ford II compareceu a corrida, demonstrando como era importante para a marca vencer em Le Mans.

Nas mãos de A.J. Foyt e Dan Gurney da Shelby-American, a vitória de Le Mans ficou novamente em mãos americanas, do jeito que a Ford queria, carro, pilotos e equipe americana; seguidos por duas Ferraris, a de Ludovico Scarfiotti da equipe SPA Ferrari SEFAC e a de Willy Mairesse e Jean Blaton da equipe Nationale Belge.
Outro Mark IV da equipe Shelby-American completou a prova na quarta posição seguido de três Porsches da equipe oficial.
A Ford encerrou a temporada de 1967 na terceira posição atrás de Ferrari e Porsche, na ordem.

– 1968 –

gt40151968 foi um ano de mudanças para o World Sports Car Championship, o carros estavam cada vez mais velozes e números acima de 350km/h no final da reta de La Sarthe eram comuns. A FIA resolveu intervir reduzindo a cilindrada dos motores. Objetivando a redução de velocidade e custos, os motores foram reduzidos para até no máximo 3.0l(como a Formula 1 da época), e isso tirava da competição importantes marcas como Ferrari(330p) e Chaparral, a Ford também se prejudicou pois teve seu Mark IV vetado devido estar fora das especificação para a competição, sua equipe de fábrica também se retirou do certame.

Contudo, o regulamento permitia que carros com motores de até 5.0l competissem desde que pelo menos 5o unidades deste fossem construídas. Se por um lado o Mark IV abandonava o certame, por outro o GT40 Mark I encarava uma concorrência mais fraca. Nas mãos da equipe de John Wier, o GT40 venceu 5 das 10 etapas do mundial de 1968 e sagrou-se campeão de uma temporada com adversários de nível inferior, as demais marcas foram representadas por equipes particulares, e algumas com veículos obsoletos devido a mudança no regulamento repentina e a falta de suporte técnico das montadoras. Apenas a Porsche com o 908 estava a altura de derrotar o GT40, e a Ferrari, como protesto não participou do certame.

John Wyer realizou algumas modificações no GT40 para atender ao novo regulamento. Saía de cena o V8 5.7l utilizado anteriormente(no Mark I de sua equipe particular), para ser substituído pelo 4,9l V8 derivado do 4,7l V8 Mark I, e a carroceria era quase toda feita por fibra de carbono e uma camada de polyester para redução de peso. Nesta configuração os três GT40 da equipe de John Wyer, patrocinada pela Gulf, foram inscritos nas 24 Horas de Le Mans de 1968. Mesmo com três carros competitivos, a equipe sofreu com os desfalques de Jack Ickx e Brian Redman.

Em 1968 as 24 Horas de Le Mans foi remarcada para o fim da temporada(devido a greve dos trabalhadores), sendo a décima e última corrida do mundial. Com fracos oponentes, o bólido americano levou fácil a terceira vitória na maior corrida do automobilismo, no entanto apenas um dos três GT40 que largaram chegou ao fim da prova, nas mãos do habilidoso mexicano Pedro Rodriguez e do belga Lucien Bianchi. Os adversários mais próximos eram os Porsche 907 e 908, seguido do Matra 630 e Alpine A220.

– 1969 –

GT40 em Nurburgring 1969

GT40 em Nurburgring 1969

Pouco se mudou no mundial de 1969, apenas o regulamento reduzia o número mínimo de veículos fabricados de 50 para 25, no caso de carros com motor até 5.0l. Novamente o campeonato foi composto de 10 corridas, e a tradicional prova de 24 horas retornaria a sua data de costume, dias 14 e 15 de Julho, sendo portanto a oitava etapa do campeonato.

A Ferrari retornava com 312P 3.0l, a Matra entrava com o 630 e o novo MS650, mas a novidade maior entre os carros era sem dúvidas o Porsche 917, um verdadeiro canhão com motor flat(boxer) de 12 cilindros e 3.0l de cilindrada. O 917 foi projetado e construído em apenas 10 meses, e embora tenha surpreendido seus adversários sofreu com problemas de instabilidade, mas mostrou-se muito veloz. A Ford era representada com o GT40 Mark I, o mesmo que competiu no ano anterior, porém nas mãos do recuperado Jack Ickx e de seu companheiro Jackie Olivier.

gt4013O campeonato foi marcado pelo domínio da Porsche que além de utilizar o novo 917, ainda mantinha o competitivo 908. A marca alemã levou o título de construtores de 1969 seguido pela Ford, representada pela equipe de John Wyer e seu GT40 Mark I.
Mesmo com o título de construtores, a história foi diferente na mais tradicional corrida do automobilismo. As 24 Horas de Le Mans de 1969 foi marcada por ser a última com a sua tradicional largada parada(onde os pilotos corriam até os carros), pois logo no começo da prova o Porsche 917 do gentleman driver John Woolfe se acidentou na Maison Blanche. Acredita-se que o piloto morreu devido a um má colocação do seu cinto de segurança durante a largada, devido a isso este tipo de largada teve seu fim em 1969.
A corrida foi interrompida por duas voltas, mas logo reiniciou. Os outros dois 917 que seguiram na prova abandonaram em seguida devido a problemas no sistema de embreagem. A montadora alemã continuou na competição com o 908 da dupla Hans Hermann e Gerard Larrousse que disputaram arduamente com o GT40 de Jack Ickx e Jackie Olivier, mas um problema nos freios prejudicou o Porsche que mesmo assim cruzou a linha de chegada a poucos metros do GT40 de Ickx, uma das chegadas mas sensacionais da competição.

1969 foi a quarta e última vitória do GT40 em Le Mans, o bólido americano entrou para a história do automobilismo vencendo quatro vezes seguidas a maior competição do automobilismo mundial. Mesmo com todos os problemas de instabilidade e aerodinâmica era veloz e muito competitivo. Foi a resposta literal da Ford a Ferrari, porém, ambas conseguiram o que queriam, a Ford venceu a Ferrari e Le Mans, e a Ferrari mais tarde(5 anos após a negociação), foi vendida ao grupo Fiat, mas com Enzo Ferrari no comando da divisão esportiva.
O GT40 deu lugar a outro grande carro, que também tornou-se um grande vencedor em Le Mans, o Porsche 917, que mais tarde evoluiu para o turbopanzer, ou simplesmente 917/30.

917 em 1969, o começo de um nova era no WSC.

917 em 1969, o começo de um nova era no WSC.

– Epílogo : Ford GT –

gt4017As ditas homenagens e releituras a carros do passado se tornaram um negócio lucrativo, e trouxe de volta ativa nomes como Camaro, Mustang e Challenger. O Ford GT também seguiu essa estratégia, foi fabricado nos anos de 2005 e 2006, e embora tenha um visual quase igual ao clássico GT40, era totalmente diferente tecnicamente, além de maior, mais largo e com 3mm mais alto.

Dos 4500 carro planejados pela Ford, 4038 foram construídos e vendidos, e embora a produção tenha parado em 21 de Setembro de 2006, as vendas continuaram até 2007 quando zeraram os estoque dos concessionários.

Sem o mesmo sucesso, o Ford GT também competiu e ainda compete nas corridas de GT, mas diferente do antecessor que era considerado um Prototype, o GT é um Gran Turismo. O midship já disputou o antigo FIA GT Championship, FIA GT3 European Championship e o FIA GT1 World Championship. Também competiu na edição de 2011 das 24 Horas de Le Mans chegando em terceiro lugar na categoria GTE Am Class.

– Ficha Técnica –

Mark I: O primeiro protótipo e carro de produção para o FIA WSC:GT404

  • Motor:
    Posição: Central, Longitudinal.
    Comando e Válvulas p/Cilindro: OHV/2 Válvulas
    Cilindros: Oito cilindros em V
    Cilindrada: 4181cc(1964)/4737cc(1965 e 1968)
    Potência: 340cv @ 6.5000Rpm(1964)/390cv @ 7.000Rpm(1965)/425cv @ 6.000Rpm(1968).
    Torque: 45m.kgf @ 5.000Rpm(1965)/54,7m.kgf @ 4.750Rpm(1968).
    Taxa de compressão: 12,5:1
  • Transmissão: Transeixo Colloti 4 marchas(1964)/ZF 5 marchas(1965), tração traseira
  • Carroceria:
    Chassi: Semimonobloco de aço laminado
    Comprimento: 4,064mm
    Largura: 1,778mm
    Altura: 1,029mm(40,5 pol)
    Entreeixos: 2,413mm
    Peso: 908kg
  • Suspensão:
    Dianteira: Independente com duplo trapézio articulado e molas cônicas
    Traseira: Independente com barra de torção e trapézios articulados inferiores.
  • Freio: a disco Girling nas quatro rodas

Mark II: A segunda geração que apareceu em 1966 e ganhou em Le Mans no mesmo ano:

Crédito foto: http://www.gt40spf.com/

Crédito foto: http://www.gt40spf.com/

 

  • Motor:
    Posição: Central, Longitudinal.
    Comando e Válvulas p/Cilindro: OHV/2 Válvulas.
    Cilindros: Oito cilindros em V.
    Cilindrada: 6997cc.
    Potência: 500cv @ 6.5000Rpm.
    Torque: 65 mkgf @ 5.000Rpm.
    Taxa de compressão: 10,5:1.
  • Transmissão: Transeixo RBT 5 marchas.
  • Carroceria:
    Chassi: Semimonobloco de aço laminado.
    Comprimento: 4,140mm.
    Largura: 1,778mm.
    Altura: 1,029mm(40,5 pol).
    Entreeixos: 2,413mm.
    Peso: 1216kg.
  • Suspensão:
    Dianteira: Independente com duplo trapézio articulado e molas cônicas.
    Traseira: Independente com barra de torção e trapézios articulados inferiores.
  • Freio: a disco nas quatro rodas, pinça simples.

Mark III: O GT40 homologado para andar nas ruas:

Crédito foto: http://www.supercars.net/

Crédito foto: http://www.supercars.net/

  • Motor:
    Posição: Central, Longitudinal.
    Comando e Válvulas p/Cilindro: OHV/2 Válvulas.
    Cilindros: Oito cilindros em V.
    Cilindrada: 4737cc OHV.
    Potência: 306cv @ 6.000Rpm.
  • Transmissão: Transeixo ZF 5 marchas.
  • Carroceria:
    Chassi: Semimonobloco de aço laminado.
    Comprimento: 4,343mm.
    Largura: 1,778mm.
    Altura: 1,029mm(40,5 pol).
    Entreeixos: 2,413mm.
    Peso: 998kg.
  • Suspensão:
    Dianteira: Independente com duplo trapézio articulado e molas cônicas.
    Traseira: Independente com barra de torção e trapézios articulados inferiores.
  • Freio: a disco Girling nas quatro rodas.

Mark IV: GT40 vencedor de Le mans em 1967:gt4020

  • Motor:
    Posição: Central, Longitudinal.
    Comando e Válvulas p/Cilindro: OHV/2 válvulas.
    Cilindros: Oito cilindros em V.
    Cilindrada: 6997cc.
    Potência: 500cv @ 7.000Rpm.
    Torque: 63 m.kgf @ 5.000Rpm.
    Taxa de compressão: 10,75:1.
  • Transmissão: Transeixo Kar KraftT44 4 marchas, tração traseira.
  • Carroceria:
    Chassi: Semimonobloco com estrutura tubular(honeycomb) e carroceria de fibra de vidro.
    Comprimento: 4,343mm.
    Largura: 1,791mm.
    Altura: 978mm(40,5 pol).
    Entreeixos: 2,413mm.
    Peso: 1.000kg.
  • Suspensão:
    Dianteira: Independente, braços sobrepostos com molas cônicas, amortecedor e barra estabilizadora.
    Traseira: Independente, braço arrastado com trapézios articulados inferiores, amortecedor e barra estabilizadora.
  • Freio: a disco ventilado nas quatro rodas.

Curiosidades:

  • O primeiro chassi foi construído pela Abbey Panels, uma metalúrgica de Coventry – Inglaterra.
  • No fim de 1963 a equipe de desenvolvimento do GT40 é transferida para Slough, próxima ao London Heathrow Airport.
  • O motor do GT40 também foi usado nas 500 Milhas de Indianapolis, só que na configuração DOHC(Duplo comando de válvulas no cabeçote). Vencendo em 1965 com o Lotus 38.
  • O GT40 pertencia a classe Grupo 4 Sports Car e ao Grupo 6 Sports Prototype.
  • O Ford GT40 pode ser pilotado virtualmente nos jogos da série Gran Turismo, a partir do segundo jogo.
  • O motor Chevrolet que equipou o Chaparral teve um toque de mestre de Arkus Zora Duntov, o papai do Corvette.
  • O motor 427 do GT40 Mark II também equipou a versão cupê do conhecido Ford Galaxy nos Estados Unidos para as corridas de Stock Car. O motor pesava 280 quilos, mas era uma verdadeira usina de força, produzia 485cv a 6200Rpm.
  • *J-Car foi um protótipo da Ford desenvolvido em 1966, não chegou a disputar uma corrida sequer. O piloto de teste era Ken Miles, o mesmo que disputou a edição de 1966 de Le Mans. Morreu dois meses depois em testes no circuito de Riverside.
  • Até hoje entre os fãs das 24 Horas de Le Mans essa vitória da Ford é muito comentada, dizem que os dois carros cruzaram juntos a linha de chegada para que pudessem alcançar uma dupla vitoria.

Auto entusiasta, piloto virtual, técnico em Manutenção e Mecânica Automotiva, estudante de Engenharia Mecânica. Automobilista nato!

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